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Existe exame para detectar autismo? O que os exames neurológicos, genéticos e de imagem mostram

Conteúdo revisado por Renata Coradi Leme, psicóloga e neuropsicóloga (CRP 06/66159)

Existe um exame que detecta o autismo?

Resposta rápida: não existe exame de sangue, de imagem ou eletroencefalograma que confirme o autismo. O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é clínico: é feito por profissionais capacitados a partir da história do desenvolvimento, da observação da criança e de instrumentos padronizados. Exames como audiometria, eletroencefalograma, ressonância e testes genéticos podem ser pedidos pelo médico para investigar outras condições ou a causa, mas não dão o diagnóstico sozinhos.

Quando surge a suspeita de autismo, é comum a família procurar “o exame” que vai dar a resposta. Muitas buscas no Google falam em “exame neurológico para detectar autismo” e no valor desse exame. Neste artigo explicamos como o diagnóstico é feito de verdade, o que cada exame médico investiga e por onde começar.

Como o autismo é diagnosticado

O diagnóstico segue os critérios do DSM-5-TR (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais) e da CID-11. Os profissionais verificam se há dificuldades persistentes na comunicação e na interação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, presentes desde o início do desenvolvimento e com impacto no dia a dia.

Para isso, a avaliação costuma reunir:

  • Entrevista com a família: história da gestação, do parto, dos marcos do desenvolvimento e do comportamento em casa e na escola.
  • Observação direta da criança: em brincadeiras e atividades estruturadas.
  • Instrumentos padronizados: escalas de rastreio e de avaliação, como o M-CHAT para crianças pequenas e o ADOS-2 para observação.
  • Avaliação neuropsicológica, quando indicada: mede cognição, linguagem, atenção, funções executivas e habilidades sociais. Veja como funciona o teste neuropsicológico para autismo.
  • Avaliação médica: com neuropediatra, psiquiatra da infância e adolescência ou neurologista, que conduz o diagnóstico e decide se algum exame complementar é necessário.

Para que servem os exames médicos

Os exames complementares não “procuram o autismo”. Eles ajudam o médico a descartar ou identificar condições que podem parecer autismo ou que aparecem junto com ele. Os mais comuns são:

Avaliação auditiva (audiometria, BERA/PEATE)

Uma perda auditiva pode atrasar a fala e fazer a criança parecer não responder ao nome. Por isso, a audição costuma ser avaliada logo no início da investigação.

Eletroencefalograma (EEG)

É pedido quando há suspeita de crises epilépticas ou perda de habilidades já adquiridas. A epilepsia é mais frequente em pessoas autistas, mas o EEG não mostra se a criança tem ou não autismo.

Ressonância magnética e tomografia

Não fazem parte da rotina. São indicadas quando há sinais neurológicos específicos, como alterações no tamanho da cabeça, convulsões ou assimetrias no exame físico.

Exames genéticos

Testes como o microarray cromossômico (CMA), a pesquisa de X frágil e, em alguns casos, o exoma podem ser indicados depois do diagnóstico, para investigar uma causa genética. O resultado ajuda no aconselhamento da família e no acompanhamento de saúde, mas um exame genético normal não descarta o autismo.

Exames de sangue

Podem ser pedidos para avaliar condições como anemia, alterações da tireoide ou doenças metabólicas raras, conforme a história da criança. Não existe exame de sangue que dê o diagnóstico de TEA.

“Exame neurológico” e avaliação neuropsicológica não são a mesma coisa

O exame neurológico é feito pelo médico no consultório: ele avalia reflexos, tônus, coordenação e outros sinais do sistema nervoso. A avaliação neuropsicológica é feita por neuropsicólogo, em várias sessões, e mede como a pessoa pensa, aprende, se comunica e se comporta. As duas se complementam, e nenhuma delas é “o exame do autismo”.

Quanto custa investigar o autismo?

O custo varia conforme os profissionais envolvidos e os exames que o médico pedir. Consultas, avaliação neuropsicológica e exames podem ser feitos pelo SUS, por plano de saúde ou de forma particular. Exames genéticos e de imagem têm cobertura no plano de saúde quando indicados pelo médico e atendidas as regras da ANS. Sobre a avaliação neuropsicológica, veja o valor do teste neuropsicológico e como funciona.

Por onde começar

  1. Anote os comportamentos que chamaram a atenção e em que idade apareceram.
  2. Converse com o pediatra, que pode aplicar um rastreio e encaminhar para especialista.
  3. Procure uma avaliação de autismo (TEA) com equipe experiente.
  4. Não espere o diagnóstico fechado para buscar estimulação: a intervenção precoce pode começar diante dos primeiros sinais.

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Clínica multidisciplinar em Campinas (Taquaral) especializada em autismo e desenvolvimento infantil, com equipe coordenada pela psicóloga Renata Leme (CRP 06/66159). Fazemos avaliação de autismo para crianças, adolescentes e adultos. Fale com a recepção para saber como começar.

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Perguntas frequentes

Exame de sangue detecta autismo?

Não. Exames de sangue podem ser pedidos para investigar outras condições de saúde, mas nenhum deles confirma ou descarta o autismo.

Ressonância magnética mostra autismo?

Não. A ressonância só é indicada quando há sinais neurológicos específicos. Na maioria das pessoas autistas, o exame é normal.

Quem pede os exames?

O médico que conduz a investigação, geralmente neuropediatra, psiquiatra da infância e adolescência ou neurologista, conforme a história e o exame clínico.

O teste genético confirma o autismo?

Não. Ele investiga uma possível causa genética depois do diagnóstico. Um resultado normal não descarta o TEA.

Referências

  • American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais: DSM-5-TR. 2022.
  • Hyman, S. L.; Levy, S. E.; Myers, S. M. Identification, evaluation, and management of children with autism spectrum disorder. Pediatrics, 145(1), 2020.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de Orientação: Transtorno do Espectro do Autismo. 2019.
  • Schaefer, G. B.; Mendelsohn, N. J. Clinical genetics evaluation in identifying the etiology of autism spectrum disorders: 2013 guideline revisions. Genetics in Medicine, 2013.
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