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Quem pode dar laudo de autismo? Médico, psicólogo e neuropsicólogo

Conteúdo revisado por Renata Coradi Leme, psicóloga e neuropsicóloga (CRP 06/66159)

Quem pode dar o laudo de autismo?

Resposta rápida: o laudo médico de autismo, com o código da CID, é emitido por médico, geralmente neuropediatra, psiquiatra da infância e adolescência, neurologista ou psiquiatra. O psicólogo e o neuropsicólogo podem fazer a avaliação e emitir laudo psicológico, que descreve o funcionamento da pessoa e a conclusão da avaliação.

Depois de meses de dúvida, muitas famílias descobrem que precisam de “um laudo” para a escola, o plano de saúde ou um benefício. E aí surgem perguntas: quem pode dar esse documento? O laudo do psicólogo vale? Este artigo explica o papel de cada profissional e o caminho para conseguir o laudo.

O papel de cada profissional

Médico

Neuropediatras, psiquiatras da infância e adolescência, neurologistas e psiquiatras podem fechar o diagnóstico de TEA e emitir laudo ou relatório médico com o código da CID (F84 na CID-10 ou 6A02 na CID-11). Esse documento costuma ser exigido para pedir terapias ao plano de saúde, para a carteira de identificação da pessoa com autismo (CIPTEA) e para vários benefícios.

Psicólogo e neuropsicólogo

O psicólogo pode realizar avaliação psicológica e emitir laudo psicológico, seguindo as regras do Conselho Federal de Psicologia (Resolução CFP nº 06/2019). Na avaliação neuropsicológica, o neuropsicólogo usa testes padronizados, entrevistas e observação para descrever cognição, linguagem, atenção, comportamento e habilidades sociais, e conclui se o perfil é compatível com autismo. Esse laudo é muito usado pelo médico para fechar o diagnóstico e pela equipe para planejar a intervenção. O relatório ou laudo do neuropsicólogo descreve o perfil cognitivo e comportamental da pessoa e sugere o diagnóstico. O médico valida o diagnóstico a partir desse laudo e indica os encaminhamentos para a intervenção, junto com as sugestões da equipe multidisciplinar.

Fonoaudiólogo e terapeuta ocupacional

Emitem relatórios das suas áreas, sobre linguagem, comunicação, alimentação, aspectos sensoriais e motores. Esses relatórios complementam a avaliação, mas não são o laudo diagnóstico.

Laudo médico, laudo neuropsicológico e relatório: qual a diferença?

  • Laudo ou relatório médico: traz o diagnóstico com CID e, muitas vezes, a indicação das terapias.
  • Laudo neuropsicológico: descreve em detalhes o funcionamento da pessoa, os testes aplicados, os resultados e as recomendações.
  • Relatórios terapêuticos: descrevem a evolução nas terapias e as necessidades atuais.

Na prática, os documentos se completam. Saiba mais em laudo neuropsicológico para autismo.

Como conseguir o laudo de autismo

  1. Comece pelo pediatra ou médico de família: ele pode aplicar um rastreio e encaminhar para especialista.
  2. Consulte o especialista: neuropediatra ou psiquiatra da infância e adolescência, para crianças; psiquiatra ou neurologista, para adultos.
  3. Faça a avaliação indicada: o especialista pode pedir avaliação neuropsicológica, avaliação fonoaudiológica e alguns exames. Veja o que os exames mostram.
  4. Volte à consulta com os resultados: o médico integra as informações e emite o laudo.

Pelo plano ou particular

O laudo vence?

O laudo não vence. Porém, o perfil cognitivo e comportamental se modifica, principalmente em crianças, que estão em fase de desenvolvimento. Por isso, são necessárias reavaliações periódicas para identificar a aquisição de novas habilidades e redefinir, quando necessário, as intervenções terapêuticas.

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Clínica multidisciplinar em Campinas (Taquaral) especializada em autismo e desenvolvimento infantil, com equipe coordenada pela psicóloga Renata Leme (CRP 06/66159). Fazemos avaliação neuropsicológica para autismo em crianças, adolescentes e adultos, com laudo e devolutiva para a família.

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Perguntas frequentes

Psicólogo pode dar laudo de autismo?

Sim, o psicólogo pode realizar avaliação psicológica e emitir um laudo psicológico com as conclusões técnicas dessa avaliação, inclusive quando os resultados forem compatíveis com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A avaliação psicológica é uma atividade própria da Psicologia e deve ser realizada de acordo com as normas do Conselho Federal de Psicologia (CFP), com métodos, técnicas e instrumentos reconhecidos e adequados à finalidade da avaliação. Ao final, o psicólogo pode elaborar um laudo psicológico com os procedimentos utilizados, os resultados encontrados, a análise técnica e a conclusão profissional. Quando tecnicamente fundamentado, o documento pode apresentar diagnóstico ou hipótese diagnóstica no âmbito da Psicologia e usar classificações diagnósticas reconhecidas, como a CID.

É importante, porém, diferenciar laudo psicológico de laudo médico. O diagnóstico nosológico, a avaliação médica e a emissão de documentos médicos relacionados ao diagnóstico e às condições de saúde são atribuições do médico, pela legislação do exercício da Medicina e pelas normas do Conselho Federal de Medicina (CFM). Por isso, dependendo da finalidade, como algumas solicitações de planos de saúde, benefícios, perícias ou exigências de órgãos públicos, pode ser pedido também um documento médico, eventualmente com diagnóstico e CID.

Assim, a avaliação psicológica e a avaliação médica não são concorrentes, mas complementares. Cada profissional atua dentro das suas competências técnicas e legais. Na Social Mentes, valorizamos uma avaliação cuidadosa, ética e individualizada, respeitando as competências estabelecidas pelo CFP e pelo CFM.

Importante: a necessidade de laudo psicológico, laudo médico ou ambos depende da finalidade do documento e das exigências da instituição que o solicita. Antes de fazer a avaliação, recomendamos verificar qual documentação é exigida.

Pediatra pode dar laudo de autismo?

Pode, se tiver conhecimento e especialização em desenvolvimento infantil. Quando não é o caso, o pediatra pode suspeitar e encaminhar para um especialista, como neuropediatra ou psiquiatra da infância e adolescência.

Adulto também consegue laudo de autismo?

Sim. O caminho é parecido: consulta com psiquiatra ou neurologista e, muitas vezes, avaliação neuropsicológica.

Referências

  • Conselho Federal de Psicologia. Resolução CFP nº 06/2019: elaboração de documentos escritos produzidos pela(o) psicóloga(o).
  • American Psychiatric Association. DSM-5-TR. 2022.
  • Brasil. Lei nº 12.764/2012 (Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista).
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