Apraxia de Fala Infantil: O Que É, Sinais e Tratamento
Conteúdo revisado por Renata Coradi Leme, psicóloga e neuropsicóloga (CRP 06/66159)
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A apraxia de fala infantil é uma dificuldade do cérebro em planejar e coordenar os movimentos da boca, da língua e dos lábios necessários para falar. A criança sabe o que quer dizer e tem força muscular preservada, mas não consegue organizar os movimentos na sequência certa. Entender o que é a apraxia, como diferenciá-la de outros atrasos e como tratá-la ajuda a família a buscar o apoio certo mais cedo.
O que é apraxia?
Índice
ToggleApraxia é a dificuldade de planejar e executar movimentos voluntários, mesmo sem fraqueza ou paralisia. Ela pode afetar gestos e tarefas do dia a dia, como pegar um objeto, amarrar os sapatos ou imitar um movimento. Quando atinge os movimentos da fala, é chamada de apraxia de fala.
O que é apraxia de fala na infância?
A apraxia de fala na infância (AFI), também chamada de apraxia de fala infantil, é um distúrbio motor da fala. O cérebro tem dificuldade em enviar comandos precisos e em sequência para os músculos da fala. Por isso, a criança pode dizer uma palavra corretamente uma vez e errá-la logo depois, ou conseguir falar sons isolados, mas não juntá-los em sílabas e palavras.
Sinais de apraxia de fala
- pouco balbucio no primeiro ano de vida e primeiras palavras tardias;
- erros inconsistentes: a mesma palavra sai diferente a cada tentativa;
- mais dificuldade em palavras longas ou em sequências de sílabas (“pa-ta-ca”);
- tentativas visíveis de posicionar a boca e a língua antes de falar (tateio);
- ritmo e entonação da fala alterados, com pausas e sílabas separadas;
- compreensão bem melhor que a fala: a criança entende muito mais do que consegue dizer;
- frustração ao tentar se comunicar.
Apraxia, atraso de fala e dispraxia: qual a diferença?
- Atraso de fala: a criança segue a sequência típica de aquisição dos sons, só que mais devagar, e os erros costumam ser consistentes.
- Apraxia de fala: o problema está no planejamento motor, e os erros são inconsistentes e pioram com palavras mais longas.
- Disartria: há fraqueza ou alteração do tônus dos músculos da fala, o que deixa a fala arrastada ou pouco clara.
- Dispraxia: afeta a coordenação motora de forma mais ampla, como correr, pular, desenhar ou se vestir. Saiba mais sobre o que é dispraxia.
Apraxia de fala e autismo
Apraxia de fala e autismo são condições diferentes, mas podem acontecer juntas. No autismo, a principal dificuldade está na comunicação social e na interação. Na apraxia, a dificuldade está em produzir os movimentos da fala. Uma criança autista pode ter ou não apraxia, e uma criança com apraxia pode ter boa intenção comunicativa, usando gestos e olhares para se fazer entender. Por isso, a avaliação precisa olhar tanto para a fala quanto para a interação. Se houver sinais sociais, vale também uma avaliação de TEA.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico é feito pelo fonoaudiólogo, com avaliação da fala e dos movimentos orais, observação da criança em diferentes tarefas e análise da consistência dos erros. Também é importante verificar a audição. Como a criança pequena ainda fala pouco, o diagnóstico costuma ficar mais seguro entre os 2 e 3 anos. Mesmo antes disso, a terapia pode começar quando há suspeita.
Tratamento da apraxia de fala
- Terapia fonoaudiológica de base motora: sessões frequentes, com muita repetição de sílabas e palavras, apoio visual, tátil e auditivo. Abordagens como a DTTC (Dynamic Temporal and Tactile Cueing) e o método PROMPT são exemplos usados por fonoaudiólogos.
- Comunicação alternativa: figuras, gestos e aplicativos ajudam a criança a se comunicar enquanto a fala se desenvolve, e não atrapalham o surgimento da fala. Veja mais sobre comunicação alternativa.
- Terapia ocupacional: indicada quando há dificuldades motoras em outras áreas além da fala.
Na Social Mentes, a fonoaudiologia infantil em Campinas trabalha junto com a psicologia, a Terapia ABA e a terapia ocupacional, com orientação à família para que a prática continue em casa.
Como os pais podem ajudar
- pratique em casa as palavras treinadas na terapia, em momentos curtos e divertidos;
- valorize a tentativa, não só o acerto;
- fale devagar e de frente para a criança, para que ela veja os movimentos da boca;
- ofereça outras formas de comunicação para reduzir a frustração.
Perguntas frequentes sobre apraxia de fala
Apraxia de fala tem cura?
A apraxia de fala é uma condição de longo prazo, mas responde bem à terapia. Com acompanhamento fonoaudiológico frequente e contínuo, muitas crianças chegam a uma fala compreensível no dia a dia.
Com que idade dá para identificar a apraxia de fala?
Os primeiros sinais podem aparecer antes dos 2 anos, com pouco balbucio e atraso nas primeiras palavras. O diagnóstico costuma ficar mais claro entre 2 e 3 anos.
Apraxia de fala é sinal de autismo?
Não necessariamente. São condições diferentes que podem coexistir. A avaliação diferencia uma da outra.
Conclusão
A apraxia e a apraxia de fala podem ser tratadas com sucesso, desde que diagnosticadas e abordadas corretamente. Em caso de dúvidas ou se você suspeita que seu filho possa apresentar esses sintomas, a equipe da Socialmentes está disponível para uma avaliação completa e detalhada, oferecendo suporte especializado para crianças com transtornos de desenvolvimento. Agende uma consulta e saiba mais sobre como podemos ajudar.
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